1/24/2010

infinita highway

Cansei das palavras. De escrever, descrever, cansei! Elas não são fiéis a mim, opto agora pelo agir – quase tão irracional quanto me atrever a pensar demais! Sim, hoje eu andei demais. Talvez ter pensado um tiquinho a mais seria mais inteligente, minhas pernas agradeceriam.

Foram só 12 km, em uma caminhada que não tinha por certo o porvir. Um cartão telefônico com duas unidades, um pensamento fixo na cabeça, um olhar decidido que há algum tempo não reconhecia e... E é bem basicamente isso mesmo, foi tudo o que levei comigo!

Algumas palavras ensaiadas? Não, não preciso de ensaio e cena pra dizer o que eu sinto! Mais do que dizer, o gesto em si falaria mais por mim do que eu poderia me render às palavras que já lhes falei não me serem fiéis, não sou mais fã delas também!

Agora... como posso chegar de mãos vazias? Parei em um supermercado e lhe comprei a halls preta, a pastilha que sempre me deu dor de cabeça, mas sei ser a tua preferida e eu queria apenas agradar!

De um orelhão próximo, de frente ao supermercado, liguei muito rápido, tinha poucas unidades, mas ela já estava de saída, só a vi um ou dois minutos depois, no carro saindo de sua rua e seguindo seu caminho.

Não tive chance de falar com ela, mas não me arrependo, talvez não soubesse mesmo o que lhe dizer! ‘Mas como você é burro, Lucas’, alguém poderia me dizer. Poderia, não lhe tiraria a razão. Eu mesmo não estive com ela durante essa jornada.

Sim, eu poderia ter ligado, poderia saber de seu horário, poderia ter pego um ônibus e talvez a encontrado em sua casa com mais tempo. Sim, tudo isso poderia ter acontecido, mas não foi desse modo que a noite se desenrolou.

Na verdade eu poderia ter saído com o carro e chegaria a sua casa em 15 minutos. Sem sentir a distância, a perna fisgar ou o cabelo secar. Não poderia ter pego ônibus pois o dinheiro que tinha dava exatamente para comprar aquela halls preta nível 5 de refrescância.

O carro estava na garagem, com gasolina, documento e permissão para eu pegá-lo. Mas que valor teria eu chegar lá assim? Eu saberia o valor de poder chegar tão rápido e falar o que eu quisesse e vê-la assim tão facilmente?

Às vezes é preciso um desafio e o toque de destino, acaso, ou qualquer referência que se coloque como a variável que foge ao controle de nossas mãos!

Se eu não suar (literalmente!) para poder conquistar o meu espaço, como vou saber o valor do que tenho? Era o meu desejo que ela pudesse ver em meu suor, minhas lágrimas ou meu sangue que as minhas palavras eram sinceras, através de meu ato – tentei inicialmente com o suor, não é? O sangue deixa pra um desespero maior e coisa e tal...

Mais que as palavras, o ato mostraria a verdade de minha intenção: lhe entregar a halls e cantar um trecho da música do seu filme favorito. Não vou negar, no caminho ensaiei falas e frases mal-elaboradas, mas talvez tenha sido mesmo melhor não tê-las dito, talvez os desencontros existam por uma razão, mas sei que, tanto a espera do encontro quanto a frustração do desencontro, foi tudo apenas fruto da minha cabeça, talvez ela nunca descubra, a menos que agora me leia!

No caminho eu pensei o por quê de estar nessa estrada mesmo! Por que eu estou indo até lá? Ela precisa, ela merece, ela deve saber de alguma coisa? Se sim, o que eu devo, preciso, necessito contá-la? Isso vai fazer o dia dela melhor? Se sim, é melhor eu apressar o passo! Se não, por que ir atrás de algo que não lhe fará bem? Talvez seja melhor que ela não saiba o que pensei, talvez ela mereça – e como de fato concluo – saber o que lhe quis dizer!

Afinal, now is the time of my life, and I’ve never felt this way before!

Eu queria apenas poder olhá-la nos olhos e dizer que nela encontro milhares de razões, de motivos, de sensações e de por quês para amá-la, porque você me faz rir, você cuida de mim, você me dá carão quando eu faço algo errado e não tem receio de bater na minha cabeça com um sorriso maroto!

E quando eu estou passando mal você me faz um sanduíche e não descansa até eu melhorar e você sabe ser carinhosa comigo e também um doce, além de saber ter a força e a garra necessária para eu lhe dizer: você é linda, você tem um sorriso incrível e adoro me olhar nos teus olhos, mas lhe amo por dentro também, por suas idéias e ideais e por teus sonhos também!

Você se fez a minha melhor amiga, você é engraçada e me faz me sentir protegido e seguro nos teus braços, me sentir amado e sim, você é a melhor amiga que já tive, que fez parte dos meus dias, que me faz feliz o tempo todo...

E assim continua essa história, enquanto faço uma compressa em meu joelho esquerdo e meu tornozelo direito... com os versos meus, tão seus que peço nos versos meus, tão seus que esperem que os aceite... dos versos que eu fiz, ainda espero resposta...

7/04/2008

Da delicadeza perdida
do canto, da poesia,
da tristeza vendida
e do capital animal

pelas ruas dessas cidades
pelas idades de suas sombras
e pelas sombras de suas maldades
pelas ruas, todo sussurro há de lhe amedrontar

com seus passos calmos
e seu sorriso sincero,
esquece ele também do inferno
que a vida lhe insistiu em rogar

e com olhares discretos
desperta perguntas, mistérios
que nem ele mesmo,
entre lágrimas e intempérios,
soube como guardar

espera portanto o dia
em que toda a sua alegria
de mãos dadas há de lhe acompanhar

por um pedaço de chão,
olhando para um céu sem solidão
agradeça-lhe ouvindo o barulho do mar

então com os lábios em seu ouvido,
entre sussurros, murmúrios e beijinhos
juras de amor lhe há de trocar

percebe assim que o dia,
entre outra diversa alegria,
pôs o sol à janela banhar

e como num toque de ironia,
os olhos se abrem em profunda euforia
e o sonho se põe a acabar

acaba-se o sonho e a alegria,
resta só então a nostalgia
e o desejo de não mais acordar.

6/30/2008

Até mesmo um peito descrente
pode reconsiderar
em seu coração ausente
a possibilidade de amar.

E então ele começou a sonhar
e se pôs a imaginar
encostado ao seu travesseiro.

Como tudo poderia ser
como poderia se entender
e no outro olhar se esquecer
como se refletisse o seu desejo
em um espelho.

Até mesmo um peito ausente
e seu coração descrente
Podem imaginar

Até mesmo amar, imaginar
e em seu travesseiro sonhar
Poderia um sentimento demente
descansar.

Até mesmo entender
e se esquecer do seu desejo,
pra dentro de si se perder
e dentro do outro em um beijo.

6/25/2008

Existe a vontade de escrever! Talvez não exista simplesmente assunto, talvez sequer exista uma novidade. Mas pode haver a maldade. E a saudade também. E assim é a vontade de escrever, mesmo que não tenha uma direção certa, nunca precisamos realmente saber pra onde vamos! Assim como é na vida... é no papel em branco!
Não precisamos de uma direção, até porque em nós mesmos reside nenhum adereço de começo ou de fim. E gostaríamos de ser a causa ou a conseqüência?
Talvez eu simplesmente gostasse de 'ser', embora soubesse que sua melhor definição se encontraria no 'estar'. E a estadia é curta, apesar de a vontade ser grande! É preciso saber dar adeus. E dar oi também, é claro! Afinal, quantas oportunidades são mal recebidas e assim desperdiçadas?
Posso estar blaset, posso não saber o por quê, posso nem saber o que isso quer dizer, mas tenho o direito também de ter prazer e ser sempre mais do que uma fórmula de-mo-dê.
E da mesma maneira não preciso de assunto para me expressar. Não preciso de expressão alguma no rosto para enganar a desilusão, o tédio ou a solidão.
Não preciso de razão, de equação e de ilusão. Não tenho pavor nem espero louvor. Eu quero o amor e o calor.

6/11/2008

II

Abri o portão. Olhei para baixo, ela correspondeu ao olhar. Eu não consegui mantê-lo por muito tempo. Olhos verdes em meio a toda aquela sujeira, àqueles cabelos emaranhados de podridão! Os meus problemas pareciam tão mundanos então. Tão vulgares. Talvez ela tenha persistido a me encarar, talvez não. Dirigi-lhe então a palavra e perguntei-lhe o que desejava - mas já conhecia a sua resposta.
Um gesto mecânico - inúmeras vezes ensaiado, talvez sequer um deles atuado de forma teatral. Seus pais receberam ensino algum do Governo. O ato clemente de levantar a mão e sussurrar por um pão foi ensinado pela rotina de seus pais. A vida ensinou melhor do que qualquer livro enfatizaria os modos rudes do mundo.
Algumas coisas não se aprendem com páginas amareladas. Mas não acho que se possa negar algo àqueles olhos. Encostei o portão e na cozinha fui procurar o que lhe entregar.
Enquanto colocava alguns pães em uma sacola, pela campainha a via me esperar. Os filhos do vizinho passeavam em suas bicicletas na calçada à frente. A garota dividia sua atenção entre a boneca encostada ao corpo e a observar os garotos.
Enquanto procurava na geladeira por algumas frutas, algo que lhe adoçasse o paladar, os garotos desceram de suas bicicletas e começaram a falar com ela.
De uma das mãos de um dos meninos - talvez o mais baixo, talvez o mais comprido - uma pedra foi atirada em direção à garota dos olhos verdes.
E o seu grito se deu a ouvir. Dirigia-me ao portão novamente, com a impressão de realmente caminhar em um mundo repleto de anjos e insetos.

6/08/2008

I

E foi então que ela tocou a campainha. Pelo visor pude ver uma garota me olhando do outro lado. Roupas sujas e rasgadas, cabelo também sujo e preso. Uma boneca entre os braços segurando junto ao peito. Não devia ter mais do que 10 anos, calculava-se pelo rosto, apesar de que não tivesse mais corpo que um garoto de 7.
Olhei-a rapidamente e, meio frustrado, já me dirigia de volta à sala, quando ela insistiu com a campainha. Talvez o barulho lhe agradasse. Pude ver pelo visor um esboçar de sorriso enquanto aguardava por alguma resposta. Ela não podia saber que eu estava vendo-a também, mas de alguma forma acredito que ela sempre soube que eu estava ali, observando-a também.
A garota tinha olhos penetrantes. Abri o portão.

6/05/2008

a global war-ning

'Aquecimento global mata mais pessoas toda semana que o 11 de Setembro'
O francês Alain Robert (que se auto-intitula 'Homem-aranha' - não é preciso explicações), subiu (sem pára-quedas de reserva ou a ajuda de cordas) hoje o prédio do jornal americano New York Times, uma construção de 52 andares, como forma de protesto no Dia Mundial do Meio-ambiente. Alain é conhecido por subir grandes construções com o único auxílio de pó de magnésio nas mãos, para evitar o suor e aumentar a aderência e já subiu mais de 70 grandes prédios no mundo inteiro.

Em sua camiseta estava escrito 'A solução é simples' e o homem-aranha levava consigo uma faixa escrita 'Aquecimento global mata mais pessoas toda semana que o 11 de Setembro', relembrando o incidente das torres gêmeas na cidade onde o protesto pacífico foi realizado, no mesmo dia em que cinco terroristas que planejaram o atentado foram julgados na prisão americana de Guantánamo.
Não é preciso dizer que Alain foi preso rapidamente após chegar ao topo do prédio, mas a sua mensagem foi ouvida e sua causa foi promovida: O custo para agir agora é muito menor que o preço de agirmos tarde demais, e o tempo está passando rápido. Todos podemos ser heróis e mudarmos o rumo dos acontecimentos.

O tempo é de esperanças que devem ser moldadas em atitudes e em mudanças.
O Homem-aranha hoje fez a sua parte. E o que podemos fazer?

5/23/2008

Ninguém disse que seria tão difícil.
Ele a encontrou apressada, seus olhos fixos no relógio, praguejando os minutos desperdiçados em esperar, enquanto seus pés tamborilavam o chão em um ritmo descontínuo, metropolitano.
Guiou as mãos à frente, em um gesto tímido, mais para garantir confiança à certeza do seu ato falho do que aguardando a reciprocidade. Contentou-se com um aperto de mão. Como nos velhos tempos, lembrou a si mesmo.
Ela evitou as formalidades, tanto por meio das palavras quanto através dos gestos. Só queria que tudo acabasse logo. Usava óculos para esconder seus olhos vermelhos. Eram lágrimas então que insistiam em cair.
Olhou mais uma vez para o relógio, sua impaciência demonstrada nos pequenos gestos. Era o seu horário de almoço, e ela se preparava para argumentar isso no momento em que ele apressou-se em entregar-lhe uma chave. A chave do apartamento.
Ninguém disse que seria fácil, mas nunca disseram também que seria tão difícil. E ela sentiu isso quando a recebeu, mesmo sem querer olhar diretamente em seus olhos, sabia que ele a buscava, que necessitava de respostas que só ela poderia dar - se as tivesse.
Ele já não precisava da chave, passara a manhã empacotando suas lembranças enquanto o caminhão aguardava-o lá fora. Estava então de volta ao começo, após andar tanto tempo em círculos.
Seus pais concordaram em hospedá-lo enquanto procurasse um novo lugar. Abriu mão do apartamento, do carro na garagem e do futuro que sonharam juntos. Mas não poderia nunca se desfazer das memórias. Não queria.
Eram cartas, fotografias e gente que foi embora, tudo reunido em uma caixa que passou indiferente aos empacotadores. Tinha uma foto dela também, mesmo que lhe custasse a aceitar.
E uma lista. Com alguns nomes de garotas. Enquanto casado, ele se perguntava porque ainda a guardava, o fato de tê-la não significava exatamente que precisava dela para lembrar de todos os rostos, abraços e momentos que passou com cada uma delas. Mas significava muito mais do que gostava de explicar.
No dia do seu casamento pensou em jogá-la fora, mas a tinha desde os 11 anos, após seu primeiro beijo no jardim do colégio que estudou a vida inteira. Essa foi a razão de não ter amassado-a - tinha lembranças demais nela.
E agora mesmo, após entregar a chave, viu-a partir como tantas fizeram - e prometeram não fazer. Sem se despedir, ele retira do bolso esse papel já amarelado e anota o nome da mulher que mais uma vez achou ser a garota da sua vida.
Todos os nomes partiram sem se despedir. Partiram um coração, partiram sem razão. Partiram sem necessidade de predicado. O que ficou procurava por respostas, porém nunca chegou a saber quais eram as perguntas que lhe guiava, enquanto as via andar para longe e olhar uma última vez em sua direção, como ela agora o fazia - porém dessa vez diretamente nos olhos.
E todas as vezes ele pensou que fora o fim do mundo, que sentira uma dor que ninguém nunca antes havia sentido e o drama cegava-o a ponto de pensar em desistir pra sempre de si.
Mas sempre se recuperou. Levantou a cabeça e mais de uma vez voltou à luta, confundiu a lágrima com o sangue e com o suor. Mais de uma vez matou o seu orgulho e confundiu-se com a vontade de não ser.
Essa que agora entrou no carro se tornou mais um nome e mais uma esperança que se mostrou falha. Ele escreve seu nome na lista pra demonstrar a si mesmo que ele dará a volta por cima como sempre fez.
Mas ele precisava entregar a chave, precisava abandonar o que construíram juntos para poder recomeçar. E ele precisava murmurar adeus de longe, mesmo sabendo que ela não iria ouvir, quer pela distância quer pela má vontade. Ninguém disse que seria fácil.

5/21/2008

E mais uma vez então
De tudo o que se fez
Não houve mais perdão
Não teve uma segunda vez
Nada além de um simples 'não'.
Se levantou feito um refém
As costas virou para a escuridão
Desabou e se desfez.

Levantou-se,
Porém fez do passado a sua prisão
Se ergueu, compreendeu
Que o que fizesse seria em vão.
De um beijo não se esqueceu
Mesmo que lhe apertasse o coração
E mais uma vez
Era só saudade então.

Talvez ele não viva para entender
Precise morrer para esquecer
E chore sem se render
Talvez mesmo ele se entregue sem perceber
Que mais uma vez
Era só felicidade então

Olhos clementes procuravam
Por respostas, descrentes, e rezavam
Mesmo sendo tão ausentes, insistiam, procuravam

Pediam sem suborno,
Sem encanto, sem encontro
e sem retorno.
E mais uma vez então
Seus dias eram de solidão.

E então chorando sem perceber,
Ele se entrega, mesmo que sem se render,
E vive para esquecer,
Morre sem entender
Que mais uma vez então
fora feliz sem nem saber.

5/16/2008

feliz desilusão.

Desabou
seu mundo, seu chão
seu sorriso, sua razão
com um espasmo, agora é solidão.

o que ficou
foi o silêncio na casa,
uma 3x4 na carteira
uma lembrança, sua vida inteira

foi só mais uma história
de muitas roupas e pouca glória

uma lavadeira e um pescador
poucos peixes e muita dor

nascendo o sol se lançou ao mar
e a pescar ele continuava a lembrar
de quem em terra deixou

mas ninguém o ouviu quando gritou,
ninguém o socorreu, ninguém sequer lembrou

a lavadeira se pôs a chorar
ao ver o sol se pôr e seu barco não retornar
o mar bravio insistia em lhe fazer recordar
da forma como se despediu, do beijo ao
voltar pro mar

com o verão foi-se a sua razão
a trouxa se acumulava no chão
ela sequer pensou em outra opção
se atirou ao mar, feliz desilusão.

5/14/2008

Lição do dia: Não permita que um homem com luvas e um dito 'diploma de medicina' na parede encoste uma pinça perto do seu 'coleguinha-do-andar-de-baixo' sem antes lhe dar uma razão MUITO BOA, diga-se de passagem, para a aproximação.
Hoje tive um prelúdio de como será a minha vida a partir dos 40: Após a crise da meia-idade, o porsche preto na garagem, a casa em Malibu e a visão diária da Pamela Anderson correndo novamente pela praia com aquele maiô vermelho de salva-vidas - mas dessa vez pra resgatar os pedaços de silicone pela areia quente, principalmente pós-aquecimento global!
Que foi? A gente fica tempo demais numa sala de espera, não é?! Dá pra pensar em muita coisa!
Mas beeem.. Não foi bem assim! Ninguém merece visitar urologistas.

5/11/2008

Eu gostaria de poder falar sobre mudanças: perceptíveis, claras e - principalmente - para o melhor. Gostaria de dizer que eu mudei, talvez mesmo da água para o vinho, mas tá mais pra de uma água repleta de cloriformes para um vinho inebriante de uma safra esquecida.
Talvez até mesmo argumentaria que o meu tempo livre serviu para reflexão, auto-conhecimento e todo aquele blablablá budista. Hipocrisia às vezes combina comigo, talvez porque eu saiba que conhecimento não traz consigo apenas satisfação, traz dor também - e leva consigo a nossa inocência.
Pureza de intenções. Maldição de corações. Ínvia atitude. Insana inquietude. Juventude. Insana. Santa. Mantra. Pilantra...
Antes eu ostentava indiferença, descaso frente ao acaso - um caos e um caso. Em comum, talvez apenas a vontade de esquecer.
Hoje ficou a vergonha e um quê de arrependimento, porém, o que isso tem a ver com o vinho, além de um amadurecimento e uma safra impura? Nada.
Por mais que falem - não existe uma segunda oportunidade. Uma segunda chance é benefício da utopia - o que já não é privilégio nem mesmo dos comunistas.
Você sempre vai ser lembrado por aquilo que fez, e ainda mais pelas coisas que deixou de fazer. E não vai existir arrependimento, lágrima ou sangue que possa fechar os pontos do passado.
Tristeza não é pecado.
Desapareço, me esqueço e recomeço. Reminiscência. Reticência. Inocência e transtorno.
Retorno. Eterno retorno.
Eterno.

4/26/2008

fratre caedere quotidianu

O moleque que ganha a vida vendendo jornal no semáforo ganha trocados como nunca antes: o ritmo das notícias é alarmante, surpreendente. Mesmo que não acompanhemos, é sempre um disparo contra o coração. Pobre escravo da mídia!
Mas o sinal abre novamente e você segue apressado, sempre atrasado. Olha para o relógio, enquanto acende um cigarro no outro. Pobre escravo do tempo!
O garoto continua ali, no mesmo sinal, todos os dias. E sob o mesmo sol, os mesmos olhos de pena encenada observam-no através da janela do carro. Ele talvez sequer rasteje pelas razões corretas, mas nunca fui adepto mesmo da teoria de que os meios justificariam quaisquer fins. Talvez você tenha ouvido falar sobre essa teoria. Pobre escravo do controle remoto!
Talvez a mãe dele esteja muito doente e precise de remédios. Talvez ela esteja criando os seus outros irmãos neste instante e seu marido a abandonou. Talvez ela nem mais esteja entre nós nesse exato momento. Ou ele está apenas conseguindo alguns trocados, como um parasita egoísta, se alimentando da essência humana e de sua miséria, para cheirar cola ao final do dia, e assim ter a sua evasão. O que o tornaria menos merecedor de um escape da realidade? Jovem retrato do cárcere!
Você pouco se importa com isso, é a única verdade vista através dos óculos Dolce e Gabana de última coleção que ostenta por trás do vidro embaçado - do eleito carro do ano da última semana - pelos pingos de chuva, enquanto o jovem vendedor tenta se esgueirar para a sombra de um coqueiro. Jovem retrato da desigualdade!
Aquele momento é único. É o tênue instante em que a sua vida se depara e se contrasta com outra realidade. Você volta-se novamente para o volante, continua a mascar o seu trident sabor canela calmamente, enquanto Mariah Carey desafina no seu mp3-player.
O sinal abre novamente, seus filhos o esperam na escola que aquele moleque nunca irá estudar, seu marido lhe espera para jantar naquele restaurante em que o menino jornaleiro nunca vai entrar - não sem ser barrado e retirado ostensivamente.
Se assim o ocorresse, você sentiria pena ou pelo menos a fingiria perante os outros olhos curiosos, ou sinceramente sentiria apenas o prazer oculto de não se ver refletido na face do jovem jornaleiro?

Aaah, pobre retrato de um jovem fratricídio cotidiano.

4/20/2008

Esquecemos a beleza do circo, da poesia e da risada. Nos esquecemos também que não é só a mágoa que contagia, mas que o choro pode ser também de alegria. Na tv, não é só tragédia que vende.
Esquecemos que todas as gotas do oceano são milagres da criação! E o mundo se reinventa a cada segundo, a cada piscar de olhos e respirar do novo. Os pingos de chuva podem cair sobre nossas cabeças, e podemos até pegar um resfriado depois, mas vale a pena correr os riscos para nos sentir mais próximos de nós mesmos!
Esquecemos também da beleza de um sorriso. O sorriso que acalenta a alma e te faz desejar o nascer do sol para vê-lo novamente. Que te faria desejar morrer em troca daquela existência, te faria matar quem roubasse a sua flor mais bela. E talvez te fizesse entender a razão de uma vida.
Todos devemos ter um pouco do sorriso da Mona Lisa e não precisar de razões para sorrir. O sentimento não precisa de significados, nem de pretextos. Mas de vontades e de sonhos.
Devemos voltar a acreditar nas palavras de um sonhador. Acredite em mim, se nada melhor aparecer no caminho. Porque eu não acredito em ninguém. E eu preciso disso também.
As coisas não irão mudar sem o nosso esforço. E no meio do caminho talvez perdemos a distinção entre o suor, a lágrima e o sangue. Amanhã pode até ser um novo dia, mas talvez ele nem chegue, e hoje possa ser o último.
O pano de fundo então irá se desfazer ao sabor do vento, mas ele não escolhe os seus passageiros nem os seus destinos. E então não nos será mais permitido nada além de esquecimento.

4/18/2008

O grande ditador

Eu sinto muito, mas não quero ser imperador. Esse não é o meu negócio. Não quero dirigir nada.Quero ajudar a todo mundo. Judeus. Gentios. Negros.Brancos. Os seres humanos querem ajudar-se mutuamente. Queremos conseguir a felicidade, não a miséria. Não queremos nos odiar. Neste mundo, a Terra é rica e pode alimentar a todos. A vida pode ser bela e livre, porém nós perdemos o rumo. A avareza tem impulsionado a alma humana, erguido barreiras de ódio, tem nos consumido em sofrimento. A velocidade nos tem deixado doentes. A abundância nos tem deixado insatisfeitos. Nossa ciência nos tornou cínicos e desumanos. Pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais que máquinas, precisamos de humanidade. Mais que inteligência, precisamos de ternura. Sem essas qualidades,tudo está perdido. O avião e o rádio nos tem aproximado. Esses inventos encontrarão seu sentido dentro da bondade, da fraternidade e da união de todos os homens. Minha voz chega a milhões de pessoas por todo o mundo: homens, mulheres, crianças desesperadas... vítimas de um sistema que tortura e prende pessoas inocentes. Aqueles que me escutam, lhes digo: não se desesperem. A desgraça que passamos é devido à avareza e ao rancor de quem teme o progresso humano. O ódio passará, os ditadores morrerão e o poder que fizeram das pessoas retornará ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais.
Soldados! Não se entreguem mais a esses brutos, a homens que os desprezam, os exploram, governam suas vidas, que os perfuram, tratam-o como gado, que dizem o que fazer e o que sentir e usam-no como balas de canhão. Não se entreguem mais a estes homens, que têm uma máquina na cabeça e no coração. Não somos máquinas nem granadas! Somos homens, com todo amor do mundo em nossos corações. Não odeie quem é desumano! Soldados, não lutem pela escravidão e sim pela liberdade! No Evangelho segundo São Lucas, está escrito: O Reino de Deus está no homem. Não é de um homem, nem de um grupo, e sim de todos os homens! E vocês, o povo, têm o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vocês têm o poder de tornar a vida livre e bonita e fazer dessa vida uma aventura maravilhosa. E em nome da democracia, utilizemos esse poder e vamos nos unir. Vamos lutar por um mundo novo, um mundo decente, um mundo onde todos terão chance de trabalhar. À juventude,um futuro; À velhice, segurança. Estas bestas tomaram o poder prometendo-nos tudo isso ao representar-lhes. Mas eles mentiram, não cumpriram a promessa, nem jamais cumprirão! Os ditadores se fortalecem fazendo escravos. Agora cumpramos nós mesmos essa promessa! Lutemos por liberar o mundo, por derrubar as barreiras nacionalistas, para terminar com a violência, o ódio e a brutalidade. Lutemos por um mundo de razão, onde a ciência e o progresso nos levem à felicidade. Soldados, em nome da democracia, vamos nos unir!
(discurso do filme O grande ditador, Chaplin)

Comentários farei no post seguinte.. x)

4/08/2008

Muitas respostas são dadas no calor das perguntas, outras tantas exigem concentração e sabedoria para serem elaboradas - pois serão respondidas uma única vez e tudo então se tornará um eterno retorno.
As pessoas temem a morte, mesmo encarando-a como um fato certo, talvez a única certeza enquanto nos efetivamos no espaço e no tempo. Mas enquanto sou, a morte não é, e quando a morte é, eu não sou.
Só que nem sempre aceitamos a lógica de Epicuro assim tão facilmente quanto a proferimos: a Vida é uma experiência única, uma chama entre duas escuridões, uma flor entre dois abismos. É poesia, magia e muitas vezes estamos apáticos ao que não nos convém.
Por essa razão questionamos sempre a eternidade que está por vir, mas não nos lembramos da escuridão que existiu antes de virmos ao mundo. Talvez sejam diferentes sombras, talvez só exista luz saindo desse túnel, mas a vida é a ponte que liga duas existências onde homem algum tem certeza de seus passos, ou mesmo de suas crenças.
Quando cheguei, ganhei não só a existência mas o mundo inteiro! É um presente incrível, sem sombra de dúvida! Mas viemos com choro, enquanto as pessoas ao redor estavam sorrindo. A existência anterior era melhor ou desde então já presenciamos o medo que temos da morte no primeiro suspiro de vida que tivemos ao surgir? É o mesmo medo do desconhecido, eu acredito.
Mas então choramos e crescemos: ganhamos asas, liberdade e conhecimento. Abraçamos o mundo de uma forma impressionante. Quanto mais sabemos, mais nos esquecemos da magia da nossa realidade, do orvalho na chuva, da lagarta que se faz borboleta... Ficamos apáticos ao universo e às estrelas.
Mas uma coisa os nossos ancestrais já faziam e ainda nada mudou: olhamos para o céu estrelado e vemos o universo como o telhado do desconhecido. Qual é a probabilidade de um universo existir? A criação como um todo já é improvável! Mas nós procuramos equações, dar nomes - a razões e a sentimentos, a evasões e ao alienamento. E se existe um Deus, ele não só é um ás em se esconder, como também é o curinga desse imenso baralho!
É interessante então ver que nós crescemos, conhecemos, respiramos desse mundo em uma existência ínfima para o universo - que continua a se expandir, a ganhar fronteiras, e permanece se afastando de tudo - e nós então nos afastaremos de todos. Realmente é impressionante como percebemos que um dia não existirão mais outros dias - não para nós.
E então teremos que nos esquecer de tudo, dar adeus àqueles que amamos, àquilo que nos fez bem, nos fez fortes e nos fez crescer durante a curta existência que usufruímos juntos. A despedida, apesar de certa, é o que trará mais dor - abandonar essa grande aventura no mundo!
A despedida traz medo - o fechar de olhos pra todo o universo, um céu sem estrelas.
E aqueles que conceberam a nossa estada na existência se tornarão a razão da nossa dor: porque dar a vida é também sentenciar a garantia da morte, a certeza de que a chama irá se apagar, mais dia menos dia. Quando abandonar o mundo, alguém estará chorando, outros estarão nascendo e chorando também, e eu, como hei de estar? E para onde hei de ir?
Se me fosse permitida a escolha e eu tivesse o arbítrio de aceitar ou não as regras, muitas vezes pensei em simplesmente negar educadamente também, e continuar no desconhecido. A nossa vida é o conjunto das escolhas que fizemos quanto ao uso do nosso tempo, na nossa existência no espaço.
Só que todo conto de fadas tem as suas regras. Quem sabe o por quê da Cinderela ter que abandonar o baile à meia-noite? Mas assim teve que ser. A regra do nosso conto de fadas é saber que um dia baterá a meia-noite também para a nossa aventura, e é tempo de abandonar o baile e subir na abóbora de volta para... para não sei onde - cá e lá outra vez.
Para a aventura valer a pena, acho que todos devemos deixar um sapato de cristal nesse mundo, algo maior que a Esperança, tão eterno quanto o tempo - mesmo que seja eterno apenas no coração de uma pessoa, que seja um momento, por um único e breve segundo. Tem que existir aquilo que torne a passagem pelo mundo memorável, para poder fechar os olhos em paz e embarcar em uma nova aventura.
Mas é realmente olhando para as estrelas que a gente percebe que outras tantas pessoas encararam o céu e o desconhecido e seguiram em frente. Se eu pudesse escolher, criaria mais uma regra a esse acordo - só me permitir voltar às sombras quando tivesse plantado uma semente em algum coração e então poderia me despedir com a sensação de serviço cumprido.
Olhar para a morte é então observar a vida, à mercê do tempo e dos dias, em função do canto de um galo velho. E então percebo que estou coberto por uma luz que não produz sombras. Posso enfim fechar meus olhos e voar sobre as estrelas, aceitando as regras desse jogo.

4/06/2008

"Imagine que, há muitos bilhões de anos, no momento em que tudo foi criado, você estivesse no umbral desse conto de fadas. E tivesse a opção de viver nesse planeta se quisesse. Não saberia quando ia viver nem quanto tempo passaria aqui, mas, fosse como fosse, seria apenas questão de alguns anos. Só saberia que, se decidisse um dia nascer neste mundo, quando chegasse a hora ou, como se diz, ‘quando o ciclo se completasse’, teria de deixa-lo e a tudo quanto nele existe. Talvez isso o contrariasse bastante, pois muita gente acha a vida neste grande conto de fadas tão maravilhosa que chega a ficar com lágrimas nos olhos só de pensar que isso vai acabar. Tudo aqui pode ser tão bom que dói pensar que um dia não haverá outros dias.
O que você escolheria se um poder superior lhe desse a possibilidade de escolher? A gente pode imaginar, quem sabe, uma fada cósmica nesta grande e enigmática aventura.Você teria optado por uma vida nesta Terra, breve ou longa, dentro de cem mil ou cem milhões de anos? Ou teria se recusado a participar deste jogo por não poder aceitar as regras?" (Jostein Gaarder, A garota das Laranjas)

4/02/2008

Esse avião ainda está longe de alçar vôo – vai demorar alguns meses, mas não deixe que o tempo lhe pregue falsas expectativas: tudo acontecerá num piscar de olhos. E quando o silêncio falar mais que mil palavras na sala de embarque, então você saberá que esta é a última chamada para o primeiro grande vôo da sua vida. Passaporte em mãos?
Não se iluda com a juventude e as falsas promessas da idade: você não tem todo o tempo do mundo. Aliás, este é só o começo do fim das nossas vidas. Portanto, guarde o mp3 na sua mochila de viagem, para tirá-lo quando partir da terra firme. Corra agora atrás dos seus sonhos.
O roteiro de viagem que lhe foi dado beira o desconhecido até o último momento, mas é preciso um voto de confiança no seu guia de viagem. É difícil confiar na aviação, porém acredite: vale mais estar no 747 no ar do que em dois Legacy’s no chão. E você vai querer decolar.
Aproveite enquanto há o que ser feito e embarque de cabeça nessa nova empresa. Depois de prender bem o cinto junto ao corpo, não há mais nada que se possa fazer, exceto depositar as esperanças todas nas mãos desse piloto chamado Destino.
O suor é frio e as mãos tremem, se mistura a ânsia ao anseio, mas isso passa – com o tempo descobrimos que somente a partir das lutas é que desenvolvemos os nossos dons naturais.
Preparado ou não, doa a quem doer, o pior de tudo é saber que o avião vai partir em Novembro – com ou sem você.
Algumas vagas parecem já estar reservadas, mas vivemos um pleno caos aéreo e muitos já esperam há anos por esse vôo, estando mais preparados e confiantes, contudo nem sempre merecedores.
Não deixe a sua passagem escorregar entre os dedos sem nem conseguir te-la nas mãos. Descubra uma razão, decifre os significados, almeje o corpo de César e a alma de Cristo, sonhe.
Muitos homens bons merecem olhar pela janela ao lado e enxergar um céu de nuvens de algodão, mas não conseguem discernir as escolhas certas para alcançar o caminho da vitória numa estrada com tantos obstáculos e tantas bifurcações.
Então eles caem. A lágrima é verdadeira flagrada e respeitada por diversos heróis de guerra. Porém outros tantos fazem pouco caso, e infelizmente não conseguem enxergar que são eles mesmos os kamikazes assassinos de seus próprios futuros – imperadores ébrios em quartos de hospício.
Faz-se mister ressaltar que o avião irá partir com ou sem você. Desde já feche os olhos e se permita sonhar, ousar, permutar e inovar; inspire desse ar puro que é merecidamente rarefeito, e nele se inspire; é a vitória de quem conseguiu subir a pedra mais alta.
Se, enquanto de olhos fechados, alguém lhe perguntar a razão do seu sorriso, enigmática Mona Lisa, responda que está exatamente onde queria estar: voando sobre as estrelas.
Procure ser um Super-Homem – não importa se de Nietzsche ou da Marvel. Talvez a estrada longa e tortuosa surja como uma grande montanha no horizonte, com o pico de neve e nuvens ao seu redor. Aprecie o desafio! A glória em remover as pedras do caminho não consiste no ato de afastá-los da sua frente, mas sim em ter coragem de derramar suor, lágrimas e sangue pelas suas convicções.

3/13/2008

cá e de volta novamente

Voltamos sempre ao mesmo ponto de partida, não importa de onde começamos. Para toda ida existe um retorno sem paixão. Mas sempre podemos voltar a onde estávamos - nunca ao que um dia fomos.

Existem feridas que não se curam - passado o tempo, o merthiolate e a dor. A lembrança de que um dia já houve menos trevas no pôr-do-sol, sombras ao amanhecer, razões em um silêncio e seduções em outros olhos sempre nos vêm a cabeça e nos enlouquece enquanto voltamos para casa.

Aliás, quem sabe onde isso tudo vai parar? Vivemos em um mundo de extremos, sem conseguir recolher os cacos quando o nosso teto de vidro se rompe, quando rasgam as nossas fantasias de carnavais.

Salvar a própria alma antes de reconstruir a dos outros. Buscar um corpo de César e uma alma de Cristo. Ambição.

Ilusão. Quem é o dono das rédeas disso tudo? Faça o favor de avisar aos desatentos de plantão que a vida não pára enquanto limpamos lágrimas frente ao espelho, ela simplesmente atropela aqueles que insistem no erro e não dão chance ao sorriso e a si mesmo.

3/07/2008

E da noite faz-se o dia. Que faz do silêncio, sinfonia. Do caos, a harmonia. Dita seus passos e suas palavras. Suas razões de evasões,sua busca por um perdão ou por um sentido. é preciso ser forte e conter suas palavras.é preciso ter valor e ter um amor. ter uma razão pra batalhar. é preciso ter alguém emquem confiar. é preciso ter alguém por quem morrer. Por quem faça sentido a confusão do dia-a-dia. Rotina difusa de uma manhã sem sol, de uma noite sem estrelas.Então é outra noite, é outra festa. Outro copo na mão. O gosto amargo emudecido.O copo com o gelo já derretido, a música toma conta do seu espírito.E ele fecha os olhos. Se deixa levar.